Uns textos controversos, como o nosso grupo.

Todas as reuniões do grupo evidenciam a nossa heterogeneidade. Quando a gente conversou, num dos últimos encontros, sobre os textos da V. Woolf e do Augé, isso não poderia ser diferente. Tivemos inclusive a participação da Camila, direto de Berlim, falando sobre o texto do Auge e do que ela vem pesquisando por lá, sobre o muro de Berlim, etc. (logo, logo ela posta sobre aqui no blog). Daí ficou aquele sentimentozinho de escrever sobre. Só para registrar aqui que nenhuma opinião expressa é unânime, qualquer outro pode se sentir tocado em concordar ou confrontar. Essa é a graça de nos possibilitarmos dialogar e aprender com os demais. 

Do Auge, em "Contemporaneidade e Consciência Histórica" fica a premissa de que "contemporaneidade não é atualidade" (p. 47), pois "o paradoxo é que uma obra só é plenamente contemporânea se for, a um só tempo, originária (de época) e original, não se contentando de reproduzir o existente. São aqueles que inovam e eventualmente surpreendem ou decepcionam que, retrospectivamente, parecerão plenamente de seu tempo. Precisamos do passado e do futuro para sermos contemporâneos", e nos questionamos:

O que é "ser do seu tempo"?
O que é "nosso tempo" hoje?
Onde se situam os pontos de articulação entre nossa época e a criação artística ou literária? 

Da Woolf, em "Como atacar um contemporâneo", fico com a esperança de que não sou obrigada a gostar de nada: nem de sustentar tal afirmativa para pertencer aos meus "iguais". Chego inclusive a me questionar sobre o que seria o meu igual, se não é apenas alguma crença que aprendi e segui como um rito, sem ao certo saber ser verdadeiro ou não. Muitas vezes, o "gostar" já tem vícios sociais e intelectuais, pautados nos cânones e no "politicamente literário", o que impossibilita - mas muitas vezes acomoda e protege - os que segue repetindo o que todos já dizem mudar de opinião - ou construir a sua própria. Quem sou eu para falar algo de Machado de Assis, se já temos Gledson, Schwarz e Candido, por exemplo? Discurso comum.

Acredito numa literatura controversa, naquela que te desacomoda, que te desperta, mas não são todos os livros que lerei na vida que me trarão tal sensação. Tem muita coisa ruim, sim, mas também tem um monte de outros textos que ainda não me sinto preparada para ler, que não tenho saco para tal, que acho importantíssimo, que acho cansativo, que me enamora, que me torna feliz, que me desestabiliza, etc, etc, etc.  Só não vale ficar preso nos próprios medos e falsas moralidades, nessas desculpas que a gente arranja para não se entregar numa leitura. Mesmo sabendo que meu olhar já não é muito inocente e comum, já que estudar literatura nos deixa marcas, ainda assim me possibilito me entregar a uma leitura, mesmo que ela possa me frustrar ou não me surpreender.

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